30 de agosto de 2010

Eu optei pelos animais

Eu optei pelos animais
por Lilian Rockenbach

Penso que existe no mundo dois grupos distintos de pessoas:

As que fazem alguma coisa pra melhorar o planeta e;

• As que não fazem nada.


Eu faço parte do primeiro grupo: Eu ajudo os animais.

Isso, porém não quer dizer que eu deixe de ajudar ao meu semelhante. Eu sou um ser humano e não é possível ajudar aos animais sem ajudar aos seres humanos, mesmo porque os animais são vítimas da ignorância homem.

Minha ajuda ao ser humano consiste na conscientização, esse é o caminho, e faz parte da luta pelos direitos dos animais. Ninguém tem a obrigação de amar os animais, as pessoas não amam nem aos seus filhos... Mas devem saber que existem leis que os protegem.

Preocupar-se apenas com os animais seria enxugar gelo, pois quem proporciona o sofrimento aos animais é o homem.

Já perdi a conta de quantas vezes chamei uma viatura e fui para a delegacia, com um guardião irresponsável, por conta de maus tratos a animais.

Tudo faz parte de um contexto, os animais têm direitos, e o ser humano que se predispôs a ter um animal tem deveres que devem ser cumpridos, e conhecidos.

Proteger os animais e defender os seus direitos está dentro de mim, este é o apelo da minha alma. É isso o que me move.

Acredito que todos os seres humanos possuem um apelo da alma, alguns para animais, outros para crianças, para idosos, doentes etc.. O problema é que ouvir e atender este apelo requer coragem, desapego e fé em nós mesmos.

Se cada um ouvisse o seu chamado interior, o mundo seria diferente, com certeza.

Já fui a asilos, já fui a orfanatos, sou doadora de sangue, de órgãos, participei de jantares beneficentes etc.. Tudo pelos humanos, mas Eu Sou Protetora de Animais.

Não importa ao que você dedique o seu tempo, qual a causa que você tenha abraçado, a partir do momento em que você decidiu ouvir ao seu chamado interior, estará contribuindo para melhorar o planeta. Esta é a diferença entre viver e existir.

Você vive quando abraça uma causa, quando luta pelo que acredita, quando faz a diferença. Você existe quando passa os dias apenas esperando a morte chegar

Qual o defensor dos animais nunca ouviu:

“Com tanta criança pela rua, com tanto doente você vai ajudar cachorro?”

Entramos então no segundo grupo de pessoas: Os que não fazem nada.

Porque na verdade quem se incomoda com quem luta por uma causa, é exatamente quem não faz nada. O fato de ter por perto alguém que não teve medo de arregaçar as mangas e partir pra luta evidencia sua inércia. Demonstra a todos sua insignificância... Daí partem para o ataque.

Eu tenho na minha casa pelo menos uma dúzia de animais que recolhi da rua, resgato, trato, castro e dôo. Tudo com recursos próprios, tudo pago com o meu salário. Ajudo a abrigos que passam necessidades, ajudo a protetores independentes que não tem como custear o tratamento dos animais que resgatam etc..

Gostaria de saber se quem faz essa pergunta alguma vez retirou uma criança da rua para adotar. Claro que não.

Gostaria então de saber qual o orfanato que ela ajuda mensalmente, qual o asilo que contribui, se algum dia de sua vida pagou sequer um almoço para um morador de rua. Muito provavelmente a resposta será: Não, não, não... Porque estamos falando de quem não faz nada, nem pelo semelhante, nem por animais, nem pra salvar as árvores, muito menos pelo planeta.

Há ainda, inserido no grupo dos que não fazem nada, um subgrupo: Os que não fazem nada e ainda tentam atrapalhar quem faz.

Nesse grupo estão inseridos aqueles que sempre tentam te empurrar alguma obrigação.
Se encontram um animal atropelado te ligam na hora, ou pior, fotografam o sofrimento do bichinho, vão pra casa, descarregam as fotos no computador e te mandam por email. Se souberem de algum animal necessitado, divulgam os seus contatos como “pessoa certa” para resolver o problema. Não se importam se você está superlotado, se tem condição financeira, se tem tempo de cuidar de mais um animal...

Esse é o cara que quando você diz que não tem condição de recolher mais um animal (no seu quintal, com seu tempo vago entre trabalhar e cuidar da família e com o seu recurso financeiro) sai te difamando na internet. Como se algo neste mundo desse a alguém, que muitas vezes você não conhece, o direito de dizer como e com o que você deve empregar o trabalho que faz e forma voluntária (com o dinheiro de seu bolso) enquanto ele fica confortavelmente em casa, atrás do computador.

Não tenho a pretensão de ditar regras, quem não quer fazer a diferença, que não faça. Mas que não pense que tem o direito de questionar quem decidiu fazer.

Você não é obrigado a amar os animais, mas tem o dever de respeitá-los.

Você não é obrigado a abraçar nenhuma causa, mas tem o dever de respeitar quem o fêz.

“Eu dedico minha vida aos animais, esta é minha causa e eu apenas discuto este assunto com quem faz algo pra mudar o mundo, só discuto este assunto com quem faz algo além de existir, quem não faz nada, não tem direito nenhum de me questionar”.

Eu fiz a diferença

Era uma vez um escritor que morava numa praia tranquila, junto a uma colônia de pescadores.
Todas as manhãs, ele passeava a beira mar para se inspirar e, à tarde, ficava em casa escrevendo. Um dia, caminhando pela praia, viu um vulto que parecia dançar.
Quando chegou perto, encontrou um jovem pegando as estrelas do mar da areia e jogando-as, uma por uma, de volta ao mar. -
Por que está fazendo isso? - perguntou o escritor.
-Você não vê? - disse o jovem. - A maré está baixa e sol brilhando. Elas secarão no sol, vão morrer se ficarem aqui.
- Meu jovem existem milhares de quilômetros de praias por esse mundo afora e centenas de milhares de estrelas do mar espalhadas por elas. Você joga umas poucas de volta ao mar... Que diferença isso faz? A maioria vai perecer de qualquer forma.
O jovem pegou mais uma estrela da areia, jogou-a no mar, olhou para o escritor e disse: - Para essa, eu fiz a diferença.
Naquela tarde o escritor não conseguiu trabalhar...
De noite ele não conseguiu dormir...
No outro dia pela manhã, ele decidiu se juntar ao jovem.
Assim naquela praia, dois vultos pareciam dançar.


Extraído do livro: Como Atirar Vacas no Precipício.

16 comentários:

Valeria disse...

Amei, escreveu tudo e mais um pouco.

Gy disse...

É isso aí... é preciso ter a coragem de dizer as coisas como elas são, de assumir as próprias escolhas, e a forma de ser feliz. Coitadas das pessoas que nos criticam, a nós, que encontramos um objetivo para viver, em contrapartida àqueles que apenas cumprem uma existência insípida e sem sentido, e cultuando valores vazios.
Parabéns pelo belo trabalho! Pessoas como você revigoram as minhas forças, e me ajudam no prosseguimento da minha missão, que é semelhante à sua: eu também optei pelos animais.
Gy Emygdio da Silva - Brasília, DF

Maria Augusta disse...

Maravilhoso!!! Parabéns por ter essa bondade e coragem!

Regina Lucia disse...

Adorei cada palavra. Também sou protetora, em pequena escala; cada um faz o que pode. Só que um dos meus defeitos é nehuma paciência com quem nada faz, a não ser encher o meu, o seu, o nosso saco!

armindagalvao disse...

Parabéns, seu depoimento é emocionante e incentivador. Penso exatamente como você e creio que o momento é de pessoas que querem fazer a diferença se unirem, pois só juntos poderemos melhorar nosso planeta para que gerações futuras tenham outro tipo de atitudes.

Que cada um de nós possa ouir o chamado de seu coração abraçando uma causa junto com outros mais.

Isaura disse...

Maravilhoso o seu dom e ofício! Legal conhecer o Feliciano. Eu, meus filhos e minha netinha de dois anos somos protetores desde sempre e voluntários da Amais de Caçapava. O seu texto é perfeito!
Um forte aubraço para você!
Isaura

Maria Litz disse...

Seria possível obter autorização para divulgar o texto EU FIZ A DIFERENÇA nos ônibus de Belo Horizonte? Se alguém tiver uma dica, p. favor, envie para literabhz@gmail.com
M. obrigada.

Roberta disse...

Se no mundo existissem mais Lilians, com certeza ele seria bem melhor.
Roberta Módolo

Art by Lu disse...

Adorei seu texto!!!!!
Acho até que vou imprimir e levar algumas cópias na bolsa para entregar aos chatos que me questionam "nossaaa!! por que vc tem 21 gatos, 2 cães e nenhum filho??" =P
Beijão ! =D

Daniela Borali ॐ disse...

É isso mesmo!!!!
Tenho 18 gatos, 8 cachorros e 1 uma tartaruga. Todos resgatados das ruas, ou de maus-tratos... Muita gente acha que somos loucas, mas o fato é que se todos fizessem a sua parte não estaríamos tão sobrecarregadas...
Parabéns pela luta!!!!
lambeijos,
Dani e Companhia.

adestramento de cães total segurança disse...

SOU ADESTRADOR E INSTRUTOR DESDE 1996, E AGRADEÇO ADEUS DE INSISTIR PESSOAS QUE LUTAM DA MESMA FORMA QUE EU PELOS DIREITOS DOS NOSSOS AMIGOS CANINOS CONTE SEMPRE COMIGO UM GRANDE ABRAÇO DO ADESTRADOR JUCA!

mfernandesfilha disse...

Muito legal. Também vou divulgar seu texto. Também optei pelos animais.

Leticia Felício Schons disse...

Parabeeens, eu creio que tudo que tu disse é perfeito. Parabens mais uma vez. Precisa-se ter mt coragem ao escrever algo desse tipo

Moyses Francisco disse...

Obrigado meu Senhor por existir pessoas que pensem como eu.
Parabéns pela bondade,coragem e vontade ! Há se o mundo tivesse 10% de pessoas com esta elevação espiritual ! Há se tivesse...

Luciana disse...

Louvo a Deus e oro sempre para Deus abençoar e sustentar pessoas como vc. Também amo e defendo os animais e tenho certeza que muitas pessoas que lerem seu depoimento serão quebrantadas no coração.Certo autou disse uma vez:"Os animais são criaturas criadas por Deus para ensinar ao homem o que é fidelidade". Alguém discorda?

Segredos confessáveis de Lulu disse...

texto do coração..maravilhoso!
Vc é uma anjinha. ...é uma mãe maravilhosa.Cuida de sua família.E cuida dos nossos bichinhos.É incansável, uma guerreira.Um exemplo!!!PARABÉNS